Não, não estou sofrendo por você. Não choro porque você está magoado comigo. Choro por mim, pelos meus erros, por ser eu. Minhas lágrimas são preces para que Deus me dê algum descanso de mim mesma. Não consigo mais me suportar, e só uma fé robusta no invisível pode me salvar de ser eu. Preciso mudar, não apenas para me reconciliar com você, mas para fazer as pazes com aquela parte de mim que ainda não desprezo.
É triste ver que eu não sou aquela que você sonha que eu seja. Ainda não. Mas terapia, religião,yoga, corrida, dança, tudo isso talvez exista para mortais que, como eu, são completamente imperfeitos. Não estou sendo complacente comigo e me perdoando assim, sem mais nem menos. Não quero me justificar. Estou apenas me desculpando, sim, mais uma vez. Mas, daqui por diante, prometo, do fundo do coração, mudar.
Apenas mudar de dia. Para que amanhã, mesmo que eu ainda possa cometer os mesmo erros, eu possa saber que um dia eu fui melhor apenas por desejar ser diferente do que fui hoje. Quando éramos menores, não era isso que nos diziam? "O importante é competir". Pois bem. Prometo, a partir de hoje, fazer de tudo o que estiver a meu alcance para ganhar da pessoa que sou hoje. Prometo me esforçar para não ser mais eu.
Estou cansada de vencer. Quero me perder. Quero o segundo lugar, aquele que nenhum vencedor deseja. Eu o desejo mais que tudo. Deixo meu orgulho ficar em primeiro, triunfante. E eu fico com a medalha de prata, aquela que me faz, realmente, ser feliz. E a medalha de bronze fica para a eternidade, para quando eu me despir totalmente e ser apenas a minha essência, a parte de mim que realmente é inteiramente verdadeira. Mas não posso almejar o último lugar no pódio. Aí já é querer demais...
